Há uma revolução social em marcha no Brasil



 
SÉRGIO CABRAL E GAROTINHO SÃO UM ESTOPIM A MAIS
Só gente muito bacana, autoridades e gravatudos, burgueses, ricos e ricaços, encastelados nos mais imponentes prédios da capital da república ou nos ambientes granfinos dos principais centros financeiros do país, não se tocam de que a sociedade brasileira chegou à exaustão em sua paciência e leniência.

No meio da população, até pouco tempo atrás, parecia que o povo aceitava os desgovernos e a corrupção, simplesmente porque, apesar da degradação geral, as pessoas tiravam algum proveito da farra, coisa mínima como emprego e renda, ou mesmo uma pontinha nos negócios desonestos realizados na promiscuidade.
Esse inchaço da máquina pública corrupta, que nega serviços básicos ao povo, foi capaz de alimentar a economia, que tornou-se próspera, até que se descobrisse que tudo era maquiado para esconder o fracasso da gestão estatal e o envolvimento de centenas de autoridades com as quadrilhas de ladrões do Tesouro.

De repente, os castelos de areia ruíram e os usurpadores do patrimônio público se viram descobertos e expostos à luz, olhados de perto pela sociedade que já não os achava honestos, mas nem imaginavam que fossem delinquentes de tamanha periculosidade, especialmente aqueles escolhidas pelo próprio povo para lhe representar perante o poder público.

É evidente que foi no ambiente de tolerância social e leniência coletiva, em que todos cidadãos pecam por uma espécie de cumplicidade geral, onde se formou essa onda de criminalidade desenfreada que pôs o país a pique e ainda tributou à população o encargo de tapar os rombos nas contas públicas saqueadas.

O antro da gatunagem estatal está agora estourado e devassado parcialmente, e se tem uma ideia ampla de como funcionava a engrenagem criminosa e quais são os setores e autoridades relacionados, flagrados quase todos os deliquentes entre os mais nobres nas hierarquias de todos os poderes e no topo do mundo empresarial.

Os poderes públicos no Brasil, de cima para baixo, verticalmente e horizontalmente, estão apodrecidos, não obstante existirem muitos de seus integrantes que não aderiram ao regime consensual de permissividade, mas, mesmo assim, poucos se revelam dignos de reagir diante da bandalheira dominante.

Alastrado mas identificado, o banditismo reinante na esfera pública do país está sob ataque da população irada e de certa forma sob cerco de outras autoridades que se levantam contra as hordas organizadas. Elas reagirão em blocos para sobrevier às artilharias populares, mas é quase certo que serão vencidas.

De qualquer forma, embora seja possível a celebração de um pacto dos poderes para amenizar o combate duro à corrupção, mediante mecanismos e medidas de autoproteção das castas criminosas, a sociedade não de move em defesa dos ladrões. Até no sistema carcerário, outros delinquentes não querem saber deles.

Está pois estabelecido um gravíssimo confronto social entre os grupos marginais do setor público e a sociedade que foi lesada, insultada e desmoralizada por eles. Com a diferença de que o povo sabe exatamente o que eles pensam e fazem, mas essas quadrilhas, que ainda dominam o país em seus postos de comando , não sabem o que o povo pensa e será capaz de fazer. A democracia tem de sair dos esgotos.

Está sendo criado o clima de revolta popular - Gilvan Freire




Aos poucos, mas com uma força assustadora, o país está sendo desintegrado e arrastado para o abismo. Todos os fatores de uma instabilidade social estão presentes - agravamento das desigualdades, desemprego, elevação do custo de vida, depressão coletiva, falta de líderes e ausência de horizontes.

O pior de tudo é que a causa mais próxima desse desastre, por si só capaz de desagregar a sociedade, já é em si mesma uma revolta : a corrupção política, vista como a matriz de todos os outros males.

Nenhuma sociedade minimamente consciente e livre pode suportar um ataque desses aos costumes e às leis por parte de líderes institucionais, quase todos investidos de mandatos eletivos, mediante práticas reiteradas de crimes em grupos partidários contra os próprios eleitores.

O povo ver com clareza solar que está passando por todas essas tremendas provações e aflições exatamente por causa da conduta de seus líderes, na quase totalidade membros das maiores quadrilhas de assaltantes dos cofres públicos desde o Descobrimento em 1 500, passsamdo pela espoliação da Coroa portuguesa.

É também verdade que essa corrupção oceânica foi democratizada e espalhou-se por todos os organismos públicos e fez parceria com a iniciativa privada, a maior corruptora de todos os tempos, mas é exatamente essa associação que degrada parte do resto da população, dados os efeitos abrangentes.

Foram, de fato , distribuídos em larga escala os dividendos dessas amplas e grandiosas organizações criminosas, mas no topo, e não na base da pirâmide social, enquanto o grosso da população se escraviza para manter esse império do mal funcionando.
O desmonte do governo lulopetista e seu aparelho criminoso por Moro nem de longe significa o desbaratamento das quadrilhas e suas ramificações poderosas, porque a base de atuação é federativa, presente em todo território nacional e incrustrado no serviço público como um todo, em todos os poderes da República.

O que mais preocupa é que a elite que administra os interesses públicos no âmbito dos poderes, em grande parte envolvida também com a rede de traficância de influência e beneficiamento direto ou indireto com as quadrilhas saqueadoras, está agora se protegendo para não ter perdas com a debacle geral.

Tempos cinzentos e esquisitos de clara falência de um modelo de gestão pública e de esbanjamento e suntuosidade nas práticas administrativas e nos desvios dos recursos do Estado e das finalidades dos governos democráticos, que levam o povo à revolta.
Da esquerda à direita, passando pelo centro, não sobra da devastação da Lava Jato e pela peneira da confiabilidade pública um só líder apropriado para tirar o país da beira do abismo, e ainda haverá desmanche biográfico de falsos líderes em massa. Como foi possível chegar a um colapso moral tão devastador ?

Desconfianças infidelidades e conspirações - Gilvan Freire



 DESCONFIANÇAS, INFIDELIDADES E CONSPIRAÇÕES :
OS DESAFIOS DOS GRANDES LÍDERES POLÍTICOS DA PARAÍBA


Nas disputas pelo Poder, pelo dinheiro ou pelo amor, cabe de tudo que há de anormal ou esquisito na natureza humana, inclusive o irracional e o desumano. Mas os homens são assim mesmo : bichos, na hora de defender seus maiores interesses .

Na luta pelo Poder, em qualquer época da História, os homens foram selvagens. Na cobiça pelo dinheiro e na conquista de um amor, foram bárbaros. Nada mudou na humanidade no correr dos tempos, mudaram apenas os métodos e os meios.
Na política, Poder, dinheiro e amor ( ainda que seja o amor só pelo Poder e pelo dinheiro ) transformam os homens . Deformam suas naturezas e os embrutecem. E tudo piora quando a vaidade e a ambição se juntam em defesa da mesma causa.

As eleições municipais recentes pelo Brasil afora trouxeram, em grande parte, mudanças importantes no estilo político vigorante. Pessoas simples, sem histrionismo e sem afetação,não radicais, com linguagem diferente, destronaram os pomposos.
Venceram, na maioria, os ponderados, os métodos inovadores, os mais jovens e menos sedentos de Poder. Ou seja : o Poder chegou às mãos dos que não o perseguem a qualquer custo e preço . É um avanço e tanto, inesperado.


A Paraíba tem hoje um cartel importante de novos líderes políticos, uns na meia idade, outros chegando promissoramente. Mas quase todos impregnados por uma cultura política atrasada. Ou se reciclam ou vão ser superados pelos mais novos.
É muito provável que líderes mais velhos do que RC, Cassio e Luciano não tenham mais papéis proeminentes nas próximas eleições. Zé Maranhão, com mais de seis anos restantes de mandato senatorial, é o condutor das transições. Ou fiador.


RC prepara-se para descer do pedestal. Já passa pelo processo de desmistificação - o povo dá sempre um Poder magro, o poderoso o engorda, mas o povo o desidrata depois. É assim : o Poder é alucinógeno e engana aos que não veem o seu fim.
Cassio, Luciano e Zé têm uma força política imensa de conjunto. RC nunca ganhou uma eleição majoritária sem recorrer a um deles. Agora os três estão unidos com os olhos plantados no futuro. RC só precisa desuni-los. O mago trabalha. E deixam.
Há uma onda de discórdia e de conspiração em curso. A senha é uma hipotética candidatura de Cassio ao governo em 2018. Cassio não quer mas não descarta, porque já passou por isso com RC e se deu mal. É o dilema de muitas traições.

A semente da cizânia está plantada. Lucianistas e cassistas estão desconfiando uns dos outros. É um bom começo para uma grande crise, quando os eleitos do novo pacto nem tomaram posse. RC é semeador de ervas daninhas . Onde são plantadas não nascem rosas nem flores. E só os burros se alimentam desses pastos.

Estourou a barragem de dejetos da Oldebrecht é fedentina para todos os cantos do Brasil - Gilvan Freire




Ali Babá e seus Quarenta Ladrões soltaram o verbo. Houve um tempo em que soltavam verba. E também não são apenas 41 ladrões , são 51, o chefe e seu bando, um esquadrão de grandes corruptores que saquearam os cofres públicos do país, como quem tira água de um poço fundo e inesgotável sem vigia por perto.

Mas essa quadrilha da Odebrecht não é a maior corja de assaltantes do Brasil, é uma das, parte de um consórcio poderoso de gângsters que a escola da criminalidade brasileira formou nos últimos anos para exportar para todo o continente Sul e para a África e Ásia como produto nacional genuíno com selo público de garantia estatal.
Seria menos dramático se esses assaltantes tivessem arrombado cofres uns dos outros e carregado as ‘furtunas ‘que acumularam pela exploração do homem sobre o
homem nesse capitalismo selvagem que se expandiu no Brasil a partir do golpe militar de 64, quando houve um milagre econômico só para os exploradores.

O mais perverso, contudo, é que os saqueadores avançaram diretamente sobre o patrimônio público nacional e arrombaram o Tesouro em época de tomada do poder
pelos pobres sobre as elites, no mais retumbante fracasso da pobreza em sua luta de classes e na busca de suas utopias malogradas.


Pior ainda : esse exército de cangaceiros modernos que se abastece do dinheiro do Estado, da arrecadação dos impostos e dos recursos naturais do país, é integrado também pelos pobres de origem e seus representantes políticos, movidos pela ambição, pela ganância e pela sedução e fascínio que exerce o dinheiro fácil.
Ou seja : são os pobretões e seus líderes que se alugam, se vendem e se rendem para que a riqueza possa continuar concentrada em mãos dos mesmos malfeitores e saqueadores da nação, impossibilitando a libertação dos excluídos e retardando a conquista da justiça social.

Mas, tudo bem, vamos assistir agora ao descerramento dessa cortina suja que vinha encobrindo a podridão de um mundo subterrâneo debaixo de nossos próprios pés , que envolve empresários desonestos, políticos indecentes, pobres sem vergonha e brasileiros honrados mas inocentes úteis, a maior parte vítima de sua incapacidade de indignação.


O maior dique da lamaceira agora se rompe. Haverá catinga para todos os lados. Saberemos mais, além das suspeitas fundadas , sobre pessoas suspeitas, mas ainda assim ainda teremos como nos envergonharmos mais . Moro e sua calma de monge enfermeiro e cirurgião põe o dedo em feridas grandes e fura tomores gordos. Os odores serão insuportáveis. Mas , viva Moro !

Bois e vacas sagrados no Brasil só podemos matá-los e comê-los



 
Hipocrisia é uma palavra intrigante de conteúdo muito ofensivo que serve para rotular a dissimulação, o falso credo e o falso sentimento. Mas nem todas as pessoas hipócritas são falsas e dissimuladas conscientemente : muitas são induzidas.
Na Índia de 1.3 bilhões de habitantes, onde 80% da população professa a religião Hindu, que cultua vários deuses e sagra animais como bois e vacas e até ratos, um escritor resolveu botar parte do sacro no lixo, mas teve seus livros queimados nas ruas.
De fato, antes do hinduísmo, que é a mais antiga religião do mundo, os indianos comiam carnes, assim como o homem come carnes desde os tempos das cavernas. Embora sejam onívoro ( que come de tudo ) os homens são animais carnívoros.
Na Índia, quem não é hinduísta come carnes. E, clandestinamente, milhares de indianos hinduístas menos convictos comem carnes de animais sagrados. São uma espécie de vegetarianos às avessas, dissidentes.

Apesar de tudo, a Índia disputa com o Brasil a condição de maior produtor e exportador de carnes do mundo e tem em seu território 3.600 abatedores oficiais e mais de 30.000 clandestinos. E os métodos de abate são os mesmos do resto do planeta.
Ou seja : a Índia cria, abate, come parte e exporta a outra parte de seus animais sagrados para o resto do mundo, menos, talvez, os ratos.Tudo para manter a cadeia alImentar humana global, que carece de carnes e proteínas animais para nutrir os mamíferos.
Ou seja novamente : a um palmo das fronteiras indianas os animais sagrados da Índia são liberados de sua sacralidade, quando não o são internamente e clandestinamente pelos próprios hindus, inclusive o proscrito escritor, que confessa comer carnes ‘proibidas’ com habitualidade.

Tem mais, a Índia possui o maior rebanho planetário de búfalos, que abate, come e exporta sem o selo da proteção religiosa. Como se vê, a hipocrisia, assim como a cadeia produtiva da carne, acontece em escala universal, e tanto é produto de exportação quanto é importado.

Veganos e vegetarianos do Brasil, querem transformar os bois e cavalos em animais sagrados, só porque nãos os comem. Os vegetarianos porque não adoram nem protegem os vegetais, apenas deles se alimentam sem outros compromissos. Os vegetais também têm vida, como se sabe, mas não são sagrados.

O veganos são amantes e protetores dos animais, que protestam até quanto a criação intensiva pecuaria, mas muitos, além dos vegetais extraídos do solo natural, comem frangos, esses bichinhos inofensivos que são sangrados cruelmente vivos para que possam alimentar veganos e não veganos preservadores de animais e da natureza.
São essas pessoas contraditórias que influenciam outras pessoas que nada têm a ver com seus hábitos alimentares exóticos a ter sentimento de defesa de animais que não são de estimação nem sagrados perante seus credos religiosos.

É uma minoria, que tem todo o direito de se manifestar livremente sobre suas escolhas pessoais, que induz à hipocrisia dos que não escolhem viver como elas, porque têm direito e liberdade de fazer escolhas diferentes.
A vaquejada brasileira, que nasceu dentro de uma tradição de quase 5 séculos de relação entre gado, meio ambiente, vaqueiro e cavalo, modernizou-se tanto quanto às músicas de raiz do Nordeste e demais regiões do Brasil, que saíram do original para o estrelato comercial bilionário, com pouquíssima contestação à sua perda de originalidade. Não é mais pé de serra.

Essa modernidade não impede que Luiz Gonzaga possa ser, ao longo dos próximos séculos, a figura mais lendária da cultura musical do povo nordestino, pois a modernidade por si só não apaga a história. Seus aboios , como sons matutos e narrativas de épocas e costumes, continuarão a falar aos ouvidos dos que precisam preservar a sua própria história como traço de identidade.


Para nós nordestinos de origem, tanto quanto para os gaúchos na preservação de sua cultura e tradição, os animais de estimação não serão nem abatidos nem torturados, como a vaca leiteira, o cavalo, os gatos e cachorros. Mas o Brasil já exporta carne de cavalo e, em pequena escala, se come também.


Mas, agora, por conta dos que querem impor uma dieta vegetal a uma sociedade carnívora, todos os animais serão sagrados, menos naturalmente os animais que comem. É o profanismo medieval tomando conta da sociedade moderna alienada.
A sacralidade que devotamos aos nossos animais, contudo, é diferente da indiana. Podemos comer todos os animais que queremos preservar intransigentemente : bois, vacas, cavalos, galinhas, porcos, ovinos e caprinos, inclusive aqueles desamamentados precocemente, inclusive as caças criadas em cativeiros, fora do ambiente natural.


Não importa como eles são abatidos, porque esses animais são ‘coisas’ quando servem de alimentação geral, mas são sagrados quando é para manter seitas hipócritas preconcebidas ou hipocrisias induzidas.


Muitos desses ambientalistas são os esquerdizoides que nunca se preocuparam com a miséria , a fome e a violência que matam milhares de pessoas no país todos os anos, nem com a roubalheira que ataca como traça os cofres públicos. Não estão nem aí para a pobreza e a preservação da cultura do povo do Nordeste.
Ou viramos todos veganos e vegetarianos convictos, enfrentando essas contradições inexplicáveis, ou assumamos de vez a nossa própria identidade de raça, sem pena de ser feliz. E afastemos de nós esse cálice da hipocrisia, porque ele embriaga e causa a falsa sensação de que estamos certos.

Os maus tratos da Suprema Corte brasileira ao povo nordestino e a sua cultura centenária



 
Primeira região brasileira em número de estados, terceira em área geográfica, detentora de mais de 27% da população do país, não basta ao Nordeste ter sido também o berço da colonização portuguesa a partir do descobrimento, em 1500, e pungente maior centro financeiro até meados do século XVII.

Essa imponência histórica pouco vale quando é para a região e seu povo exigirem respeito e atenções da República e dos poderes constituídos, e também, de certa forma, das populações mais ricas e mais desenvolvidas internamente, todos fomentadores de um tratamento recorrentemente descriminatório e injusto com relação a esse apêndice do Brasil rico.

Representando pouco menos de um terço de todos os brasileiros e quase a metade do território nacional, tirando a região amazônica ( que tem muito mais de 50% da área total e menos 12% da população ), o Nordeste é a maior região brasileira em tudo, menos nas questões sociais.


Mas os infortúnios nordestinos, medidos por réguas sociais perversas e amargas e índices alarmantes de baixa qualidade de vida ( distribuição de renda, escolaridade, doenças endêmicas e outras mazelas ), não são resultado da incapacidade de seu povo, e sim do descaso do próprio Estado brasileiro, dos governos republicanos e das práticas preconceituosas de todos os poderes.


Na distribuição das verbas governamentais federais por habitante, o Nordeste recebe próximo de um terço do que devia receber, condenando a sua população aos desastres sociais e econômicos dos últimos séculos, com milhões de pessoas mortas pela fome e pelo abandono estatal.
Isso tudo já era para ter incutido na alma do povo nordestino um sentimento de revolta, capaz por si mesmo de causar uma ruptura política e um separatismo, livrando os descriminados dessa ignominiosa submissão secular.


Essa decisão do STF de proibir a vaquejada, com o voto de minerva da ministra Carmem Lúcia , é o opogeu da vingança do Estado brasileiro preconceituoso contra uma raça interiorana que lutou pelas liberdades gerais da nação e doou seu sangue e suor para que o país fosse independente e próspero.


Seis pessoas apenas decidiram que um recreação popular iniciada nos anos 1530, quando foram implantados no Nordeste os primeiros criatórios intensivos de gado – os espetáculos da apartação de animais pelos vaqueiros – deve ser banida para que juizes não sejam importunados por ambientalistas.


Esportes radicais e violentos, causadores de danos e mortes em humanos, como o boxe e seus afins, podem. Acasalamento entre pessoas do mesmo sexo, contrariando o direito natural que pressupõe o acasalamento entre machos e fêmeas, pode, em nome da liberdade e da felicidade.
Assaltar e saquear o país ao longo dos anos para satisfazer o apetite e a liberdade dos gatunos do calarinho branco, pode. Tanto que pode que virou costume até dentro de tribunais.


Desviar mais de 1 trilhão de reais dos cofres públicos, em detrimento das mazelas sociais do Nordeste, matando indigentes da saúde e famintos da exclusão social, pode. Tanto pode que virou costume aos olhos da cúpula de um judiciário complacente, salvo pelo gongo por Sérgio Moro e seus cavaleiros da boa esperança.


Atestar a legalidade dos financiamentos de campanha custeados com o dinheiro da criminalidade, ao Judiciário pode. Tanto pode que virou costume nas eleições brasileiras dos últimos tempos, em nome da liberdade de organização e manifestação política
Rasgar deliberadamente a Constituição Federal para favorecer e indulgenciar um condenado de grave crime de responsabilidade contra o Estado, pode. Tanto pode que o próprio presidente da mais alta corte de justiça o fez de forma solene, ao testemunho da nação inteira, em nome da liberdade de interpretação.


Convidar pessoas investigadas, posteriormente denunciadas, , para uma solenidade de posse nos salões nobres e litúrgicos do Supremo, pode. Tanto pode que a ministra Carmem Lúcia o fez em nome do dever de gratidão, o arrepio de mais de 70% da população brasileira, que queria ver seus convidados presos.


Cassar o direito e a liberdade que o povo nordestino tem de escolher e preservar as suas manifestações culturais de raiz, pode. E pode para que essa raça insubmissa se ajoelhe perante a República onde tudo pode em nome da liberdade e da felicidade que a elite dirigente concede a ela mesma e a seus escolhidos.


Maus tratos de animais nas vaquejadas ? Morrem e são mutilados mais bois durante o transporte de animais num só dia no Brasil do que em todas as vaquejadas juntas do Nordeste em um ano.


Bovinos, caprinos, ovinos e suínos são abatidos todas as horas de forma impiedosa pelo Brasil afora, sem que os magistrados repulsem essas práticas ao saboreá-los com suas famílias. Isso pode, porque é um costume de séculos e os magistrados usam a seu favor os costumes como a lei dos tempos.


Vaquejada não pode mais. A felicidade coletiva não pode mais. A liberdade de manisfetação popular não vale mais. Pode ter liberdade de credo até para a feitiçaria e a bruxaria, com o sacrifício de animais, mas vaquejada no Nordeste não pode não.
Seis pessoas apenas extinguem a tradição e a identidade cultural de 55 milhões de nordestinos, afora a irradiação que essa cultura espalhou por outras regiões do país, em nome de um intervencionismo jurídico autoritário . E elitista e preconceituoso.


É mais uma condenação sem culpa do povo nordestino à perda de sua memória cultural e ao atraso econômico. Merece uma rebelião pelo menos política para que a raça originária da fundação do Brasil não perca o direito de ao menos ser livre de outras formas de colonização e escravização.

Domingo, o dia em que RC vai saber se valeu a pena fazer o que faz, ou só sobrou reprovação pelo que tem feito - Gilvan Freie



 Dois dias separam RIcardo Coutinho de seu destino político incerto, como incerto é o destino de todos os homens. No caso de RC, porém, seu próprio destino é um projeto concebido por ele mesmo, tão bem elaborado e perfeito que parece obra de uma autoridade superior, que não é outra senão ele, o criador de si em pessoa.

De tanto ser autoridade superior em tudo e de pensar e realizar sozinho o tudo que pensa sozinho, RC chegará a um ponto em que terá de dar de conta de tudo que os outros esperam que ele resolva sozinho. É uma tarefa e tanto para um homem só.
Nestas eleições do domingo, que serão o teste dos noves fora, RC terá de demonstrar que não é apenas o deus de si mesmo, mas também o deus de milhares de pessoas que atribuíram a ele a capacidade de pensar por elas. De milagreiro e santo, pode virar uma divindade de carne e osso.


Ganhar a eleição em João Pessoa, onde desafia adversários poderosos e onde colocou no imaginário coletivo o seu retrato acima da foto da candidata oficial, para passar a ideia de que a disputa é entre ele e seus opositores, é certamente um teste de fogo, daqueles que separam o inferno do Céu, ali nas imediações do purgatório.
Mas não é somente na Capital que RC precisa ganhar para não decrescer diante do futuro próximo, precisa vencer no grande cinturão metropolitana e em Campina Grande, núcleos com quase um milhão e meio de votos. Mais : precisa vencer pesquisas e prognósticos que desafiam a sua soberba e sua superior autoridade.
Enfim, RC, um líder fecundado na grande metrópole, nascido para habitar o Olimpo e derramar a partir de lá seus poderes e encantos sobre a planície e o povo, corre o risco de virar o rei dos rincões, mais pobres e menos habitados, onde só a humildade reina no lugar da soberba.

A disputa de RC com as pesquisas. Elas não podem dizer só o que ele quer - Gilvan Freire



 
Quando RC vociferou, semana passada, que a eleição na Capital estava apenas começando, mesmo depois de mais de mês de haver-se iniciado, levantou as orelhas de todos os que procuram tirar significado das palavras do governador.

RC fala frequentemente por parábolas quando é para despistar assuntos incômodos ou para alimentar suas estratégias diante de momentos adversos, ou ainda para desqualificar seus opositores.


Neste caso específico, RC tentava acalmar os militantes do PSB, inquietados com os baixos resultados de sua maratona pessoal e governamental em João Pessoa, onde tenta acumular os dois cargos mais importantes da gestão pública no Estado.
Como até aquele dia RC não conseguia vencer seus inimigos políticos, na opinião das várias pesquisas de tendência de voto divulgadas, quis dizer mais ou menos assim : vou arregaçar as mangas e provar que quem manda nessa timóia sou eu.


De fato, mais uma vez RC arregaçou todas as mangas da camisa individual e do colete governamental para vencer os adversários e ex-aliados debandados e desmoralizar as pesquisas, um termômetro da opinião pública que só respeita quando é a seu favor.
Mas, apesar dos arroubos de RC para não deixar o peru morrer de véspera, o peru continua respirando com dificuldade e as pesquisas continuam desafiando a arrogância de RC e suas manias de poder tudo, até poder aquilo que só depende dos outros - os que não se julgam submissos ou servos.


Agora é só aguardar para saber quem tem poder contra quem, ou quem exerce o poder que tem. Ou quem se obriga a respeitar quem.

Domingos Montagner e Camila Pitanga: Sucesso e tragédia se unem e mergulham nas águas revoltas do Rio São Francisco - Gilvan Freire




É de relembrar Airton Sena, na curva Tamburello , manhã daquele trágico 1 de maio de 1994, em Ímola, onde o caminho de sua vida perdeu o prumo e a morte assumiu a direção de sua MacLaren. A vida é assim : uma pista comprida cheia de curvas pela frente e abismos por todos os lados.

A morte de Domingos Montagner, no cenário dramático e místico do Rio São Francisco, assim como aconteceu com Sena, mexeu com o psicológico do povo brasileiro, já traumatizado pela tragédia política que se abateu sobre o país e gerou uma depressão coletiva. E mergulhou a esperança nos redemoinhos.

Parece o fim surpreendente e chocante de outro Sena, não mais nas pistas mas nas águas agitadas do rio das assombrações , onde canoas e embarcações usam carrancas de monstros para afugentar maus presságios e maldições milenares.


RIo da integração nacional, porque é o maior rio que nasce e escoa dentro do território brasileiro, o São Francisco é um mar de lendas, quase todas fatídicas. Teria surgido, segundo uma delas, das lágrimas da bela índia Iati , diante da morte inesperada de seu amado , um guerreiro tribal charmoso e sedutor. Ele próprio teria criado o caminho das lágrimas pisoteando o chão com suas tropas de guerra, descendo pela Serra da Canastra, lugar onde surgiu a primeira calha.


Diz outra crença que mora no São Francisco um ser esquisito, musculoso e de pele cor de bronze, que tem o corpo assemelhado ao de um menino de doze anos, com um só olho grande na testa, meio feioso, tendo unhas enormes e não tendo cabelos. Seria o defensor do rio contra invasores e predadores. Seu nome é Caboclo D‘água, ou Nego D‘água, o virador de canoas, que já fora visto com escamas misturadas a peles pelo corpo.


As carrancas assustadoras colocadas na frente dos barcos teriam o poder de espantar o misterioso Caboclo, que ataca quando o rio dorme e os pescadores perturbam os peixes. Se só perturbam, vira o barco, mas se lhe agradam soltando fumo nas águas, são generosamente recompensados. Seus gemidos de fúria são aterradores.


Ribeirinhos do Juazeiro crêem no fantasma da menina muito linda que, encantada
com a sua própria beleza refletida nas águas cristalinas do velho Chico, não percebeu o passar da hora da Ave Maria sem voltar para a casa de seus pais, e virou serpente que vomita fogo - Serpente da Ilha do Fogo, protetora da cidade, do rio, e carrasca dos pecadores, dos que agridem o meio ambiente e dos que comentem injustiças sociais.
Domingos e Camila, talvez impulsionadas pelo fogo de uma paixão ardente, ou arrastados pelo feitiço e a magia das águas místicas do rio das divindades e dos monstros, só queriam purificar seus espíritos, sem entender que há horas em que o S. Francisco dorme e corre manso, como mansos eram eles próprios, mas há horas em que os fantasmas se enfurecem, fazem redemoinhos nas correntes agitadas e atacam - assim como atacaram e puniram aquela menina muito bela do Juazeiro.


Mas, por quais razões Camila e Montagner teriam sido vítimas de ataques tão desumanos e traiçoeiros, sem culpa e sem pecado mortal ? Por que essas divindades-monstros se irritaram tanto ?


Seriam ciúmes da parte de Nego D‘água, porque não tem a formosura e garbo de sua última vítima fatal inocente, desprevenida para entender as armadilhas de seu cruento esconderijo aquático ? Seriam também ciúmes da menina do Juazeiro, porque as águas do rio refletiram o rosto e o corpo de Camila, mulher mais linda do que ela ? Ou seria uma vingança da índia Iati, ainda pranteada e inconformada com a perda de seu guerreiro tribal encantador ?


Bem, enquanto não há respostas, inocentes morrem para que as lendas sobrevivam.

A vingança - Gilvan Freire



 
Poucas vezes justiça e vingança se unem para fazer uma boa obra. Via de regra, a justiça corre atrás da vingança, mas não para afagá-la e sim para puní-la. São contrárias entre e si e rivais.

Mas, na Câmara Federal, onde deputados incompatíveis entre si se unem por conveniência quando for bom e útil a eles próprios ou quando seus interesses possam ser atendidos ou preservados , o medo, a traição e a vingança se uniram para ejetar Eduardo Cunha da vida pública. E, por vias transversas, fez-se a justiça.
O medo veio do cerco da opinião pública sobre o Congresso para cassar Dilma e Cunha; a traição veio da quebra de compromissos corporativos assumidos por debaixo dos panos e nos escuros das confabulações , mas negaceados diante dos holofotes do povo e da mídia.

E a vingança veio do PT, ex-aliado de Cunha nos governos de mil e uma noites de bacanais e banquetes regados à dinhiro público.


Nesses tempos, que pareciam não ter fim, dilmistas, lulistas, petistas e cunhistas se entendiam harmonicamente no essencial : como tomar conta dos cofres do Estado, aborrotados de ouro.


Mas, depois da queda de Dilma, cai Eduardo , para os petistas o arquiteto de seus tropeços, enquanto o PT cambaleia porque não tem mais a mãezona Dilma e nem o parceiro Cunha, dois braços fundamentais na manipulação do Poder em proveito de todos.


O povo brasileiro e a mídia livre do país sitiaram a Câmara e obrigaram-na a fazer justiça e a engolir seus próprios dejetos, mesmo que em meio a vingança de uns delinquentes sobre outros.


Abrem-se as portas da câmara de gás para uma matança coletiva.

A Vingança - Gilvan Freire




Poucas vezes justiça e vingança se unem para fazer uma boa obra. Via de regra, a justiça corre atrás da vingança, mas não para afagá-la e sim para puní-la. São contrárias entre e si e rivais.


Mas, na Câmara Federal, onde deputados incompatíveis entre si se unem por conveniência quando for bom e útil a eles próprios ou quando seus interesses possam ser atendidos ou preservados , o medo, a traição e a vingança se uniram para ejetar Eduardo Cunha da vida pública. E, por vias transversas, fez-se a justiça.


O medo veio do cerco da opinião pública sobre o Congresso para cassar Dilma e Cunha; a traição veio da quebra de compromissos corporativos assumidos por debaixo dos panos e nos escuros das confabulações , mas negaceados diante dos holofotes do povo e da mídia.


E a vingança veio do PT, ex-aliado de Cunha nos governos de mil e uma noites de bacanais e banquetes regados à dinhiro público.


Nesses tempos, que pareciam não ter fim, dilmistas, lulistas, petistas e cunhistas se entendiam harmonicamente no essencial : como tomar conta dos cofres do Estado, aborrotados de ouro.


Mas, depois da queda de Dilma, cai Eduardo , para os petistas o arquiteto de seus tropeços, enquanto o PT cambaleia porque não tem mais a mãezona Dilma e nem o parceiro Cunha, dois braços fundamentais na manipulação do Poder em proveito de todos.


O povo brasileiro e a mídia livre do país sitiaram a Câmara e obrigaram-na a fazer justiça e a engolir seus próprios dejetos, mesmo que em meio a vingança de uns delinquentes sobre outros.


Abrem-se as portas da câmara de gás para uma matança coletiva.

O PT não matará Temer mas Temer ressuscitara o PT. Ambos morrerão depois de causas naturais - Gilvan Freire



 
Houve um tempo em que o PT e Lula eram tão essenciais ao país quanto são hoje dispensáveis e abomináveis. Os dois explodiram um regime colonial perverso de dominação secular das elites conservadoras que espoliavam os bens públicos e os pobres.

Depois de certo tempo, o PT e Lula mudaram de ideias e implantaram no país um modelo dominial misto, meio conservador, meio progressista, com o objetivo de criar uma nova elite secular

Ou seja : o PT venceu uma elite dominante, tomou-lhe o Poder, mas ficou parecido com ela em quase tudo, inclusive na espoliação do bens públicos e dos pobres. Vitória de Pirro.


No princípio não era assim. O PT e Lula queriam matar a velha elite corrupta, ineficiente e exploradora do Estado paternal político e dos excluídos. Houve ganhos no cambate à exclusão, o país prosperou, mas não houve transformação política.


Esse desastre só foi possível porque o PT e Lula ressuscitaram a elite antiga deposta para governarem juntos, a fim de garantir um projeto de Poder com a cara de nova elite, aparentemente e confusamente contrária à anterior, agora, contudo, sua coadjuvante.
Velhos tempos do PT e Lula, que prometiam não mudanças mas transformações no país e na vida dos pobres, que nunca mais seriam encabrestados por nenhuma elite, nem velha nem nova.


Bem. Hoje é tempo de Temer, o herdeiro do espólio petista, membro da nova elite dominial petista, ou lulopetista de Lula e Dilma, a presidenta desastrada de quem foi colaborador e vice. Isso diz tudo, menos que vai haver transformação. Só mudança.
O governo de Temer é fraco, incapaz de suplantar o caos encontrado, com o qual cooperou. Poderá ser quanto ou mais desastrado do que o desgoverno petista, o que autoriza o PT a lhe fazer oposição cerrada, mesmo sendo da mesma laia e fiasco.
Se o governo de Temer continuar manco e desorientado ( o que é muito provavel ), o PT abandona temporariamente seu jazigo e vem habitar e fazer assombração nas ruas, ainda que seja para exorcizar sua própria maldição e assustar seus cúmplices
A coisa está tão ruim que talvez seja o caso de o povo contratar o PT para fazer oposição ao que sobrou de seu nefasto governo. É bem menos arriscado do que deixar que governe. Mas que pague pelos seus crimes e reconheça suas próprias torpezas.

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