Do choque entre Lula e Bolsonaro vai surgir um país melhor. - Gilvan Freire ,




Ainda bem que em meio a esse terremoto moral de proporções bíblicas que se abate sobre o povo brasileiro, devastando praticamente sua mais que centenária cultura política republicana e desconstruindo de forma generalizada a sua elite dirigente, aparecem soluções dentro da própria tragédia.

A causa dessa verdadeira Praga do Egito, ainda que pudesse ser, está longe de ser uma resposta irada de Deus ao comportamento criminoso e omissivo dos brasileiros indiferentes e descuidados e nada vigilantes com relação aos descaminhos das autoridades encarregadas de zelar pelo interesse público e especialmente aquelas investidas de mandato popular.

OU seja : no frigir dos ovos, ninguém está desmoralizando ou castigando ninguém, mas estamos todos demoralizados juntos, pois fomos lenientes e coniventes com essa farra de indecências toda, fazendo de conta que não estávamos vendo o que se passava e fedia logo abaixo das nossas narinas.

Daí porque, pensando bem, não há milagres divinos para salvar o país nas eleições de 2018, a nao ser trabalhar com os escombros do furacão ainda em curso que cada vez nos humilha e nos deprime, remexendo com o nosso sentimento de culpa e cumplicidade.

Vamos reconstruir o Brasil como quem soergue um prédio implodido com o mesmo material da demolição , simplesmente porque não há na praça materiais novos e seguros de substituição. Lógico que com esses retraços estragados e apodrecidos pelo uso e pelo mau uso, a reconstrução é de altíssimo risco, mas a obra é arriscada mesmo. E a maior temeridade ainda reside no nosso próprio despreparo enquanto cidadãos.

Dessa montanha de entulhos, porém, há dois materiais que não se misturam para
formar uma boa massa útil, capaz de emprestar solidez e seurança à reconstrução que precisamos fazer.

Diretamente pondo o dedo na ferida, refiro-me a LULA e BOLSONARO, as piores massas para reconstruir uma nação onde foram eles protagonistas do seu atraso e de sua destruição.

Mas deverá ocorrer uma coisa fenomenal até as eleições de 2018 : Lula e Bolsonaro, rejeitos da demolição do velho Brasil em ruinas, vão se chocar, se agredir, e vão morrer juntos, dando lugar a que a esperança vença o medo e o medo desca à sepultura com os dois. .

MEMÓRIA PESSOENSE: Jardim de Infância do Thomaz Mindello - Sérgio Botêlho



 

Corria o ano de 1956 em João Pessoa, época em que só existiam, com maior expressão, escolas públicas ou confessionais com viés filantrópico. Das últimas, faziam parte o Pio X, o Nossa Senhora de Lourdes e o Nossa Senhora das Neves. O Pio XII veio pouco depois.


Entre as instituições de ensino de caráter público, destacavam-se os grupos escolares, unidades de ensino primário vocacionadas para uma educação de qualidade, a partir de experiência paulista iniciada ainda no final do século XIX.


Não sei dizer se existia um outro grupo escolar em João Pessoa que oferecesse o chamado Jardim de Infância, já que vários desses grupos funcionavam em alguns bairros da capital. Onde cursei esse nível de ensino foi no Grupo Thomaz Mindello (homenageando um velho educador pessoense), assim grafado, pelo escriba, para respeitar o nome original.


O Thomaz Mindello, que já não é mais uma unidade de ensino, embora continue como prédio público, foi o primeiro grupo escolar de João Pessoa, fundado em 1916, embora o seu atual prédio date da década de 40, a partir do projeto de um arquiteto italiano.
Fica na confluência das ruas General Osório, de um lado, e Praça Aristides Lobo, do outro, com a Guedes Pereira, para a qual fica voltada a entrada principal do prédio. A entrada para o Jardim de Infância acontecia por uma portinha lateral que dava para a General Osório.


Os jardins de infância, com similitude à pré-escola de hoje, eram espaços de interatividade infantil, com atividades baseadas em materiais lúdicos e utilizando uma imagética baseada no universo mágico infantil. Criação de um alemão, Friedrich Froebel, que viveu sua criatividade na primeira metade do século XIX.


Pois bem. Creio que muita gente em João Pessoa passou pelo Jardim de Infância do Grupo Thomaz Mindello. Tempos atrás, descobri que uma amiga minha, que não estou autorizado a dizer o nome, também havia estudado no mesmo tempo que eu.
A descoberta foi por conta de uma foto da festa do final do ano, em que todas as crianças estavam vestidas de holandeses, uma festa que eu lembrava perfeitamente. Com algum esforço, nos descobrimos na foto. Fantástico!


Daí, então, fiquei terminantemente proibido por essa criatura, colega minha dos tempos de funcionário da UFPB, de falar em público que havíamos sido colegas de Jardim de Infância, em 1956. Aquela velha história de esconder a idade, não sabe?!
Nunca mais voltei ao Thomaz Mindello, mas, a lembrança da infância me conduz a um espaço interno coberto, arrodeado de bancos de alvenaria, onde as crianças brincavam, só brincavam, com brinquedos criativos e educacionais, sob os olhares atentos das professoras, que ainda não eram chamadas de “tias”. Eram professoras, mesmo.

Essas recordações fazem um bem danado, num tempo em que aprendíamos respeito e urbanidade nas escolas, além de muito civismo. Jamais me esqueci do meu Jardim de Infância do Grupo Thomaz Mindello, a quem rendo minhas homenagens, enquanto vida tiver.

Patos vem aí - Marcos Pires



rra.com.br

Minha amiga Albiege deu o alerta; está fazendo calor demais. E olha que ainda nem estamos no verão. Antigamente a chegada do verão representava a vinda das meninas bonitas de Campina Grande para o veraneio, banhos de mar e assustados. Parece que quem vai chegar neste verão será Patos com sua temperatura. Lembro de uma namorada que conheci lá, mas ela só veraneava em Patos, na verdade morava em Vista Serrana.

Mas vamos ao calor. Tudo vale para fugir dele, porque no calor chegamos a delirar. Eu mesmo já pensei ter visto num dia excepcionalmente quente um calango usando sandálias havaianas. De outra vez abri a porta da geladeira para tomar agua e me surpreendi dez minutos depois ainda lá, aproveitando o clima. Imagino que com vocês deva ser assim também. Eu chego ao cumulo de vibrar com aquela paradinha que o ventilador dá bem em frente a mim antes de voltar a fazer aquela meia volta e ir privilegiar os outros.

Um amigo me disse que quando era pequeno, corria para o quarto dos pais dele à noite com medo do bicho papão. Os netos dele correm hoje para seu quarto para aproveitar o ar condicionado, de onde ele concluiu que o calor é pior do que o bicho papão. “-Só pode, né? Começa com mesmo C de capeta”. O maconheiro que faz ponto no bar em frente ao Flat onde moro me parou ontem para comentar esse calor terrível: “- Mermão, se agora já está assim, imagine quando o segundo sol chegar para realinhar a orbita dos planetas””. O maluco viajava em Cassia Eller, claro.

Na verdade, se calor fosse bom o inferno seria gelado. Por falar em inferno me lembrei de Temer (Primeiramente fora Temer). Renato, que cuida do Flat, me disse que votaria da reeleição do Presidente se ele acabasse com o calor.

Mas nada se compara à história de Seu Carlos Alberto, que já meio senil foi ao médico. Disse que estava doente, porque depois de fazer sexo com a esposa, na primeira vez sentia frio, e quando repetia o ato sexual sentia muito calor. O médico pesquisou na internet e em todos os compêndios o que poderia causar aqueles sintomas, até que numa outra consulta saiu discretamente da sala, deixando o paciente sozinho lá, e foi conversar com a esposa do Seu Carlos Alberto que estava na recepção. Depois de muitos arrodeios falou do problema e ela caiu na gargalhada: “- Ah velho maluco. Não é nada demais, Doutor. O que acontece é que ele faz o primeiro sexo no mês de junho e o segundo em dezembro”.

Evolução histórica da cidade de Borborema - Ramalho Leite




ANTECEDENTES
Bananeiras, até 1827 pertencia a Vila de São Miguel da Baia da Traição ou
Vila de Mont Mor da Preguiça e, a partir de então, foi integrada ao território
da Vila Real de Brejo de Areia. Essa incorporação não demorou muito: em
10 de outubro de 1833, o presidente Antônio Joaquim de Melo sancionou
a lei que deu emancipação política ao município, que passou a ter sede na
Vila de Bananeiras. Essa lei tornou Bananeiras a segunda maior área
geográfica do Estado, “arrastando consigo os territórios de Guarabira, Cuité
e Pedra Lavrada” no dizer de Horácio de Almeida. Pelo texto da lei, porém,
está citada Serra da Raiz e, os seus limites chegavam à fronteira do Rio
Grande do Norte, com Araruna inserida, até 1877, quando conquistou sua
independência. A população de Araruna sempre reclamou a distância de
nove léguas entre o distrito e a sede municipal, onde “são obrigados a
prestar o serviço do júri, reunir colégio eleitoral e requerer qualquer ato
judicial”, pois, desde 1857 fora criada a comarca de Bananeiras. O Barão de
Mamanguape, senador do Império e Presidente da Província, assinou a lei
616 que criou a Vila de Araruna.


Nas décadas finais do Século XIX, o coronel Antônio Amâncio da Silva e sua
esposa Águeda Rodrigues Ramalho, ele nascido em Piancó e ela em Bonito
de Santa Fé por volta de 1856, deixam o sertão e se estabelecem no distrito
de Tacima, onde nasceria, 1880, o primogênito desse casal, José Amâncio
Ramalho. Seu pai era influente na política de Araruna e rico proprietário de
terras. O jovem, que conheceríamos no futuro como um grande
empreendedor, estudou em João Pessoa e depois foi concluir seus estudos
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na vetusta Faculdade de Direito do Recife, no ano de 1908, turma de que
fez parte o escritor, político e renomado brasileiro José Américo de
Almeida. Visionário desde a juventude, frustrado por não ter estudado
engenharia, José Amâncio, contudo, exerceria grande influência no
desenvolvimento econômico desta região, a começar por Araruna onde se
fixou inicialmente.


José Amâncio não havia concluído ainda o curso de direito. Convenceu os
políticos da Vila de Araruna a construir um Mercado Público, como meio de
organizar seu comercio e desenvolver o progresso daquela comunidade.
Ainda no ano de 1908, o bacharelando assinou um contrato com o Conselho
Municipal de Araruna para erigir aquele empreendimento. A Vila de
Araruna não dispunha mais do que dez contos de reis anuais. O Mercado
custaria cerca de trinta contos. José Amâncio resolveu bancar a construção,
dentro de algumas condições que lhe asseguravam a exploração dos
serviços por cerca de dez anos. A repercussão dessa iniciativa colocou o
empreiteiro em alta diante da sociedade ararunense, causando ciúmes aos
Targinos que, desde então, já dominavam o poder econômico e político da
Vila. O espaço político que José Amâncio tentava conquistar lhe foi negado.
Sua divergência com os Targinoslevou à rescisão do contrato de exploração
do Mercado. Um acordo foi celebrado e pelos quatro anos restantes, o
contratado recebeu quatro contos de reis de indenização.


“Idealista, corajoso, espírito criador e de acurada visão do futuro, Amâncio
trazia consigo os ideias de mudanças despertadas com a chegada do novo
século” diz Humberto Fonseca, traçando seu perfil. Por volta de 1914,
desfeita a sociedade com o Conselho Municipal de Araruna, José Amâncio
resolve buscar novos ares. Há um registro de que desde 1912, teria
comprado terras a um tal de João da Mata. O único que identifiquei, era
influente em Araruna e se tratava do capitão João da Mata Lins Fialho que,
detentor de posses nesta área, as vendeu a José Amâncio. O trem acabara
de aportar na Vila de Camucá e José Amâncio divisou novos horizontes onde
exercer seu espirito empreendedor. A essas terras, dr. Zé Amâncio, como
tornar-se-ia conhecido, denominou Boa Vista. Até 1943 chamou-se Camucá
e, finalmente, Borborema.
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UM DISTRITO DE DESTAQUE
O trem passaria dez anos tendo Borborema como sua parada final. Somente
depois de concluído o túnel da Serra da Viração, o comboio alcançou
Bananeiras, isto por volta de 1925. Alguns anos antes, em 1919, a sede
municipal passou a utilizar a energia elétrica. O distrito de Camucá, porém,
já estava iluminado pela iniciativa de José Amâncio Ramalho, criador da
Hidroelétrica Borborema. Daqui seria distribuído energia para sete cidades
do brejo. Uma barragem do rio Canafístula possibilitou essa inventiva
pioneira no nordeste, perdendo apenas para Delmiro Gouveia que
aproveitou as águas do São Francisco para uma pequena usina destinada à
sua fábrica de linhas. Depois surgiria Paulo Afonso.


O lago que se formou com o barramento do rio, invadiu terras e derrubou
casas que ficavam na sua margem. Ainda lembro que, nos anos mais secos,
a queda do nível da barragem deixava ver os alicerces das casas submersas.
Os proprietários foram indenizados. Descobri escrituras de terras
compradas a um pernambucano de Timbaúba, de nome José Cavalcanti e,
também do doutor Nuno Guedes Pereira, todas inundadas pelo açude.
Antônio Nogueira Campos, outro pioneiro, por igual teve terras cobertas
pelas águas. Para compensar as ruas desaparecidas, foi elaborado um novo
traçado da cidade, e o distrito ganhou avenidas largas e espaçosas que não
se vê em outra cidade da região. Essas ruas receberam a denominação dos
estados brasileiros. Eu, por exemplo, nasci na rua Amazonas, hoje Barôncio
Lucena. Tudo obra do desbravador José Amâncio Ramalho que tenho como
Fundador do Povoado de Boa Vista, depois Borborema, Camucá e
novamente Borborema.


Conseguida a energia, outros empreendimentos surgiriam. Os engenhos de
produção de rapadura e aguardente, somente a partir dos anos 1960
adotariam a energia elétrica como força propulsora, inclusive o Engenho de
José Amâncio, que ficava no pé da queda d´água e a dois passos da usina de
energia. Um pouco acima, foi instalada uma indústria de fécula e ainda um
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despolpadora de arroz. Dessas inIciativas de Amâncio, resta o bueiro da
fecularia. Sua sirene, acionada na passagem do trem por seu terreiro, ainda
ressoam em meus ouvidos. Nascido na beira da linha, foi o segundo som
que me chegou aos ouvidos. O primeiro, foi o grito da parteira mãe Luiza: é
homem. Nas minhas narinas, ainda sinto o cheiro da fuligem cuspida pela
Maria Fumaça.


O trem e a energia elétrica foram os dois alicerces propulsores do
desenvolvimento do distrito. Um comercio efervescente e um centro de
compra e venda de especiarias formou-se por aqui. A civilização do café e
os seus resultados nos bolsos do produtores, refletem ainda hoje no casario
antigo que se mantém intacto, merecendo tombamento do Instituto do
Patrimônio Histórico, para evitar sua descaracterização. Para montar a
usina elétrica, chegaram os alemães. Mecânicos dos melhores, depois se
estabeleceram para consertar e fabricar peças de engenhos e alambiques.
Frederico Kramer esteve aqui até 1922. Voltou à Alemanha e trouxe seu
irmão Harris que casou com uma Lucena, dona Alzira, chefe dos Correios
até se aposentar. Guilherme Groth completou o trio germano. Este foi
comerciante o tempo todo. Esteve em Borborema até 1936, quando se tem
notícia de venda de alguns imóveis seus ao dr. Zé Amâncio. Mudou-se para
Moreno (Solânea) onde ficou até que lhe queimaram a casa, após
afundamento de navios brasileiros pelas forças do Eixo. Chegou de volta à
Borborema em 1942 com os salvados do incêndio. Aqui se estabeleceu
fazendo de meu pai, Arlindo Rodrigues Ramalho, o seu sócio brasileiro.
Vendiam tecidos, ferragens, material de construção e até agua destilada
para encher bateria. Frederico, que em Borborema também negociou com
café, migraria depois para Natal e nos anos 1930, era o gerente da Usina
Borborema, em Bananeiras. Encontramos o registro de sua passagem por
esse emprego, no Livro de Tombo da Igreja de Nossa Senhora do
Livramento, em queixa do padre José Diniz, inconformado com a ação do
alemão cortando a luz da igreja a mandado do proprietário da Usina, sob a
justificativa de que caia a qualidade da energia publica quando eram acesas
as luzes da Matriz.


Nos anos 1940, com a grande guerra começando nos campos da Europa,
Borborema ganhou perfil no Censo Demográfico daquele ano, como
registrou Coriolano de Medeiros no seu Dicionário Corográfico da Paraíba:


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“Na Vila encontra-se a queda d’água da Canafístula, movimentando a usina
elétrica que fornece energia e luz à vila, à vila de Solânea e às cidades de
Serraria e Bananeiras. É servida de estação ferroviária, por agencia postal
e por duas escolas públicas primárias que tiveram 160 matriculados em
1942 e uma frequência média de 102. Segundo o recenseamento de 1940,
tem a vila 312 prédios urbanos, 8 suburbanos, 1.750 rurais e a população
urbana, 1.262 habitantes; suburbana 87 e rural, 3.419,”


A EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO
O registro de Coriolano Medeiros sobre a educação na Vila, demoraria a
sofrer alterações. Por muitas décadas, apenas o chamado curso primário, era
ministrado. A primeira professora nomeada pelo estado para atuar na cidade
foi Argentina Pereira Gomes que lecionou no Liceu Paraibano até perto dos
setenta anos, demorando a se aposentar. Seu nome batizou uma Escola de
Formação de Professores, na Capital. Fui seu aluno de português no Liceu e
ela, sabendo que eu aqui nascera, fazia questão de ressaltar esse detalhe do
seu curriculum: - Fui a primeira professora de Borborema, dizia orgulhosa.
As irmãs Jardim, dona Matilde, dona Laura e dona Aline, por muitos anos,
pontificaram na educação de muitas gerações. Fui aluno de dona Laura e de
dona Matilde. Na direção do grupo escolar quase se eterniza a professora
Jaldete Guedes Pereira de quem fui aluno no último ano do curso primário.
Mas a minha querida professora foi mesmo Carminha Costa. Dedicada aos
seus alunos, com ela não precisava comprar livros. Ditava as aulas que eu
copiava e depois meu pai passava a limpo. Minha primeira professora
chamava-se Maria Candido e teve um triste fim depois de um casamento
infeliz. Em Borborema, quem quisesse estudar mais, teria que se mudar. Eu,
por exemplo, fui exilado para Natal.


Somente nos anos 1970 foi criada uma unidade de ensino médio, a Escola
Comercial que consegui instalar através da Fundação Padre Ibiapina. Fui
diretor da Escola e o sr. Antônio Costa, seu secretário e professor de
contabilidade. Na administração do governador Dorgival Terceiro Neto
quando eu já era deputado estadual, estadualizei a escola. O prefeito
Amâncio Ramalho, conseguiu instalar o segundo grau. Está ai funcionando
a Escola Estadual Efigênio Leite e a partir dele, muitos jovens
borboremenses ingressaram no curso superior. Era esse o meu desejo,


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expresso quando da criação do colégio estadual: que os meus jovens
conterrâneos tivessem na sua terra, a oportunidade de estudo que eu não tive.
Para a história, gostaria de registar: fui o primeiro bacharel em direito
nascido na cidade. O primeiro médico foi Cícero Pereira que moarava em
casa vizinha à dos meus pais e, o primeiro odontólogo João Américo Pinto,
filho do comerciante Júlio Pinto. Hoje, com muita alegria sei que é difícil
contar os filhos desta cidade que conseguiram o grau superior.
O NASCER DE UMA CIDADE
Quando Solânea lutava pela sua independência, o dr. Zé Amâncio mandou
chamar meu pai para participar de uma reunião em sua residência. Chegando
lá, ele encontrou o vereador João Rocha, o advogado Alfredo Pessoa de Lima
e o professor Alencar, membros da comissão encarregada dos tramites
visando a emancipação do distrito de Moreno. Dr. Zé Amâncio tinha uma
proposta a fazer ao meu pai: se ele aceitasse que o Distrito de Borborema
fosse agregado ao Município de Solânea, seria nomeado primeiro prefeito do
novo município. Meu pai recusou a oferta e justificou que estava lutando
pela independência de Borborema. Solânea tornou-se cidade em 1953,
Borborema em 1959.


À época, a Assembleia Legislativa exigia do município sede, uma Resolução
que indicasse os limites da nova unidade a ser criada. A Câmara de
Bananeiras votou a Resolução 34/58 de 12 de dezembro de 1958,
autorizando o desmembramento e fixando os limites. Um projeto do
deputado Antônio Nominando Diniz foi transformado na Lei 2.133, de 18 de
maio de 1959, dando autonomia ao território do antigo distrito de Camucá.
A criação da Comarca de Borborema também constava da lei, todavia, um
veto parcial do governador Pedro Gondim negou a comarca e liberou a
cidade. Sua instalação ocorreria a 12 de novembro daquele mesmo ano, com
a nomeação e posse do primeiro prefeito, sr. Antônio Barbosa da Costa. Este,
ao lado de Arlindo Rodrigues Ramalho, Dionísio Pereira dos Santos,
Diógenes Pinto de Sena, Severino Leite Ramalho, Aristeu Uchoa Pinto, José
Luciano de Medeiros, Carmelo Gomes de Souza, Francisco Cardoso, José
Aguiar Bezerra e outros, representavam a comissão de frente da luta pela
emancipação política de Borborema.


Em 3 de outubro de 1960 foi realizada a eleição do primeiro prefeito,
recaindo a escolha, justamente, no vereador e servidor público Arlindo
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Ramalho. Seu vice Antônio Targino Leão venceu a José Aguiar Bezerra.
Meu pai obteve 338 votos sagrando-se prefeito contra as pretensões do
agrônomo Rubens Guerreiro de Lucena que alcançou 156 sufrágios. O
analfabeto ainda não votava.


A primeira Câmara Municipal foi composta dos seguintes vereadores:
Severino Leite Ramalho, presidente; Reginaldo Leite de Queiroz, José do
Carmo Ramalho, Cicero Ferreira da Silva, Dionísio Pereira dos Santos, Luiz
Galdino Ferreira, e José Luciano de Medeiros.


Naquele tempo as campanhas eram feitas a pé, ou a cavalo. Meu pai detinha
uma relação com os nomes de todos os eleitores, apelidos, parentesco e
residências. Mas lhe faltava o cavalo. O major Augusto Bezerra lhe
emprestou o animal e, montado nele, meu pai visitou todos os eleitores do
município, casa por casa. Anunciada a vitória, uma caravana motorizada
partiu de Borborema para Bananeiras, nos jeeps e caminhões disponíveis. À
época a cidade contava apenas, doze veículos. À frente da caravana, desde a
entrada da cidade, ia meu pai, montado no cavalo, ambos cansados da batalha
vencida. Todos desceram dos veículos e a caminhada foi até a casa do major
Augusto, onde o cavalo foi solenemente devolvido ao seu dono.


Com o nascimento da cidade, começa um novo capítulo da sua história.

Caixa dois e sonegação de impostos geram multa do Fisco estadual de quase R$ 4 milhões para empresa do filho-empresário de Cássio



 

Marcos Marinho
O filho empresário do senador Cássio Cunha Lima, Diogo, que é dono da Interblock Artefatos de Cimento Ltda., indústria estabelecida no Município de Alhandra, litoral Sul da Paraíba, e que somente da Prefeitura Municipal de Campina Grande, cidade administrada pelo primo Romero Rodrigues, já embolsou mais de R$ 10 milhões com fornecimento de pedras para calçadas, está metida em um gigantesco quiproquó, ainda em fase de apuração, mas que tem tudo para se concretizar em um escândalo fenomenal.

De acordo com documentos que APALAVRA teve acesso, a empresa foi autuada pelo Fisco estadual em pelo menos quatro graves infrações, totalizando multas de quase R$ 4 milhões, uma delas, no valor de R$ 800 mil, já paga sem contestação.

A primeira infração diz respeito a créditos presumidos indevidos.

Uma outra, considerada gravíssima, reporta-se a “suprimento ilegal de caixa”, termo técnico conhecido no linguajar popular como CAIXA DOIS.

A terceira autuação cuida de “nota fiscal sem registro”, ou seja: SONEGAÇÃO pura e simples de impostos, com a mercadoria transitando sem a competente NF.

O último enquadramento alcança a questão da diferenciação de alíquotas do ICMS, que variam de Estado para Estado.


Apesar da gravidade do problema, o Fisco nada divulgou, o que é praxe na repartição.
Em agosto passado vários portais de João Pessoa noticiaram que Diogo e sua empresa estariam sendo favorecidos em licitações na PMCG, que até então já havia pago à Interblock R$ 6.182.850,00. Essa conta, conforme apurou APALAVRA, já passa da casa dos R$ 10 milhões uma vez que vários logradouros da cidade (Açude Novo, avenida Manoel Tavares, giradouro da saída para João Pessoa, etc.) estão tendo suas calçadas trocadas por pisos intertravados adquiridos à empresa de Diogo.

A empresa Interblock Artefato de Cimento S/A foi criada em 8 de abril de 2010, e segundo dados da Receita Federal só ganhou na Paraíba, desde a sua criação, quatro licitações, sendo três em Campina Grande nos anos de 2013 no valor de R$ 2.127.600,00; 2014 no valor de R$ 2.127.600,00 e em 2015 no valor de R$ 1.927.650,00. A quarta foi na cidade de Cabedelo em 2015, sob gestão do prefeito Leto Viana, aliado do senador Cássio Cunha Lima desde 2014.

De forma terceirizada, a Interblock também fornece seus produtos para a Prefeitura Municipal de João Pessoa, onde escapa de licitação sendo contratada por empresas vencedoras das concorrências públicas.


Desse mesmo modo a Interblock já embolsou dinheiro do Governo do Estado da Paraíba, fornecendo pedras para o estacionamento do estádio Amigão, em Campina Grande, obra executada pela Via Engenharia, e também para o Centro de Convenções de João Pessoa, outra obra sob responsabilidade da Via Engenharia e onde Diogo forneceu 42 mil metros quadrados de pavers (piso intertravado).

BOA QUALIDADE
Quando a imprensa noticiou as vitórias de Diogo na prefeitura campinense, coube ao secretário de Planejamento do Município, André Agra, fazer a sua defesa. Segundo ele, “caso os sites tivessem mantido contato, teríamos dado informações objetivas que evidenciam, de forma inequívoca, que a empresa Interblock Artefato de Cimento S/A venceu as licitações porque oferece um produto de qualidade, com preço abaixo do mercado e um amplo leque de clientes no serviço público da Paraíba e de outros estados”.

Auditor do Tribunal de Contas do Estado (TCE), André Agra observou que, por princípio, não considera justo que, por ser filho de um senador, Diogo Cunha Lima, como um dos sócios da empresa, venha a ter privilégios em licitações públicas, mas também pelo mesmo grau de parentesco não pode ser penalizado, desde que se submeta às regras objetivas dos certames licitatórios.

O IMPÉRIO DE DIOGO

Apesar de jovem, Diogo Cunha Lima é um gigante empreendedor e consta em seu nome pelo menos nove grandes empresas:

- Empresa de Comunicação Piemonte Ltda – ME em sociedade com o Sistema Correio de Comunicação, na rua Coronel Salvino Figueiredo, 79, Centro, Campina Grande;
- Paintball Zone (Zone Diversões Ltda - ME), na Av Argemiro de Figueiredo, 1816, Bessa, João Pessoa, PB;
- Talante (Talante Industria e Comercio de Bebidas Ltda - ME), no Sitio Conceição, Sn, Zona Rural, Lagoa Seca, PB;
- Interblok (Interblock Artefato de Cimento S/A), na Rodovia BR 101, Sn, Km 101, Zona Rural, Alhandra, PB;
- Tecblock - Tecnologia da Construção Ltda., na Av Esperanca, 1263, Sala 201 Platinum Center, Manaira, João Pessoa, PB;
- Pavblock (Pavblock - Pavimentação Ltda - ME), na rua Claudino Gabino De Oliveira, 209, Tambor, Campina Grande, PB;
- Interblock Pernambuco - Artefatos de Cimento Ltda., na rua Viscondessa do Livramento, 113, Derby, Recife, PE;
- Ds Participacoes (Ds Participacoes Ltda), na rua Antonio Rabelo Junior, 81, Sala: 101 E 102, Miramar, João Pessoa, PB;
- La Vie Recepções (La Vie Recepções e Eventos Eireli - ME), no Sitio Araticum, Sn, Zona Rural, Lagoa Seca,PB.

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