POR TRÁS DA CALVÁRIO – 8



POR AMANDA RODRIGUES

 

Sobre os áudios.

Muito se fala nesses áudios, e eu começo com a indagação: alguém que vai para uma conversa, equipado para grava-la, já sabendo que assuntos tratar, com certeza orientado para o que deve fazer, que, induz o tempo todo os diálogos, muitas vezes perguntando e respondendo ele mesmo, explicando e detalhando situações que ninguém está perguntando, tem ou não alguma má intenção?

Foi divulgado que tinha milhares de horas de áudios gravados onde propinas eram combinadas, mas, nessa denúncia não foi utilizado se quer 10min de áudio. Imagina o trabalho que esse cara teve para maquiar “centímetros” de conversa.

Imagine se o próprio Ricardo tivesse gravado diálogos com autoridades que faziam pleitos a ele. Será que seria crime? Eu falo com propriedade, primeiro porque trabalhei no Governo com Ricardo, e por vezes, no dever das minhas atribuições, fui chantageada por autoridades. Nunca cedi, mesmo com medo, pois essas ameaças sempre eram feitas por homens, com tom de voz elevado e embebidos de poder, porque tinha um superior ( Ricardo ) que protegia seus auxiliares e nos dava a retaguarda para dizer NÃO!

Em contraponto a isso me recordo de uma reunião que participei na gestão do atual governador (ano de 2019) onde passei a reunião toda recebendo Zap de uma autoridade dizendo que se o governo não cedesse ao que estava sendo proposto ali seria pior, pois dizia ele a situação não ser boa. Isso é crime? Ele falou por conta própria ou combinou com os demais?

O mesmo delator que gravou Ricardo, também tentou me gravar. Um dia, ele me pediu uma reunião. Depois de muita conversa, o rapaz é do tipo que quer se mostrar muito inteligente, é jovem e sabe usar bem o vocabulário, me disse que tinha uns pagamentos do Trauma a receber. Eu respondi que não era comigo, que eu era Secretária de Finanças e que ele visse com as gestoras do contrato. Que eu não atendia fornecedores, meu trabalho era interno, meus despachos eram com secretários.

Será que se tivesse dito que ia ver também teria sido presa? Seria crime? Depois recebi uma ligação dizendo que ele patrocinava o rock in Rio e me oferecdendo ingressos. Eu agradeci, e disse que não ia. Ele insistiu e disse que quando eu quisesse ir a algum show, avisasse que ele me daria o ingresso. Patrocinava vários eventos.

Sinceramente eu poderia ter aceito, e não seria crime. Hoje fico pensando em tudo que aconteceu, e juntadas as peças percebe-se que tudo foi preparado com antecedência para ser utilizado na hora que eles julgassem certa: As portas do recesso forense, após um ano de especulações negativas sobre quem fez história no que diz respeito a gestão na Paraíba.

Para se aliviar de tudo isso eu canto “em tempos de guerra, nunca pare de lutar, não baixe a guarde, nunca pare de lutar, em tempos de guerra nunca pare de adorar, libere a palavra, profetize sem parar. Se Deus é conosco, quem será contra?”

A má-fé no trato da História é apenas um dos muitos traços que unem os extremistas.



 

Francis Lopes de Mendonça
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Eu preferia não ter que falar de 1964 em 2020 diante do que acontece no mundo de hoje, principalmente quando americanos e chineses travam uma corrida pelo título de grande potência econômica que agora resultou numa desastrosa guerra biológica, cujas consequências estamos vendo agora com milhares de mortos, inclusive no Brasil. Essa preocupação é maior do que qualquer evento do passado para nós. Mas eu não posso me calar diante dos absurdos que incultos e desinformados propagam acerca dos fatos de 1964, dizendo que o golpe aconteceu para resguardar o Brasil dos "terroristas comunistas". São esses mesmos desinformados e incultos que teimam em afirmar que não houve ditadura no Brasil, pois existiu troca de presidente votado pelo Congresso, quando se sabe que a deposição de João Goulart não seguiu o script de um processo de impeachment, não foi objeto de uma votação na Câmara ou no Senado. É a mesma coisa que afirmar que Cuba é uma democracia autêntica, que já trocou de presidente várias vezes.

Essa gente não tem a mínima noção do que tenha sido o plano comunista de araque, forjado por Getúlio, para ele próprio implantar a ditadura de 37, falando da necessidade de proteger o país contra os comunistas. Ora, os comunistas estavam todos na cadeia em 37, dado o levante de 35. Só que em 1964 voltou novamente essa ladainha do "perigo comunista", com o intuito de defender os crimes da ditadura militar. Pois os crimes desse regime foram de fato crimes. Inclusive eram crimes perante a Constituição da época, a própria Constituição posta pelos milicos, e não somente perante a Constituição de 46 ou a nossa de agora, de 88.

Matar pessoas que já foram rendidas por forças policiais é assassinato, é crime. Mesmo que o país estivesse em guerra, seria crime - o chamado Crime de Guerra. Fazer isso por meio da atuação de milícias com ligação com o Exército é, então, crime e corrupção total das Forças Armadas. Fazer isso com autorização do próprio presidente da República (Geisel e Figueiredo, na continuidade de Medici), então, torna-se um crime mais que terrível, como ficou comprovado. 434 pessoas morreram ou desapareceram nas mãos da ditadura militar brasileira, em mais de duas décadas. Apesar disso, não demonizo os que apoiaram o golpe naquela época. Vivíamos a Guerra Fria: Cuba tinha se tornado um país comunista em 1959 e em 1962 a União Soviética tentou plantar mísseis na ilha. Che Guevara pregava a expansão do movimento revolucionário na América Latina e o comunismo deixara de ser apenas uma excentricidade do distante Leste Europeu.

Aqui, João Goulart não tinha qualquer afiliação com os comunistas. Seu pecado não foi tanto pressionar pelas chamadas ‘reforma de base‘, mas tolerar a quebra de hierarquia nos quartéis - isso num período em que o golpismo estava entranhado no DNA da caserna, muito mais do que hoje. É preciso, porém, que se olhe também para o outro lado da história.

Os arquivos desse outro lado da história precisam ser abertos também. Todos os arquivos de 1964 deveriam ser abertos e as versões dos dois lados expostos. O que esconde as esquerdas do Brasil? Alguém sabe? Porque o terrorismo de esquerda foi um fato inegável, tanto que todos os movimentos da luta armada se organizaram após 1964: MR-8, ALN, VAR-Palmares, COLINA, como apontou muito bem Elio Gaspari na sua coleção sobre a ditadura, um trabalho de pesquisa monumental repleto de referências a fontes primárias, que está aí para quem quiser entender os fatos daquele período.

Agora, dizer que o golpe de 1964 aconteceu por causa do terrorismo de esquerda é como dizer que a eleição do Collor, em 1989, foi uma resposta da população ao sucesso do Plano Real. Não há nenhuma diferença entre essa direita reacionária e rastaquera que tenta empurrar o revisionismo sobre os fatos de 1964 e o esquerdismo emburrecido e fossilizado que vende Mao, Che Guevara e Fidel como grandes heróis do século XX. A má-fé no trato da História é apenas um dos muitos traços que unem os extremistas.

Golpe de 1964: Pedro relutante, Abelardo em fuga e Ronaldo cassado



 

POR FRUTUOSO CHAVES

Os bastidores do golpe militar de 1964, na Paraíba, não serão devidamente percebidos sem a leitura do que escreveu e do que declarou, em entrevistas diversas, o ex-deputado Joacil de Brito Pereira.

Partícipe direto desses acontecimentos, ele foi uma espécie de líder da facção civil capitaneada pelos grandes proprietários de terras e disposta ao enfrentamento armado se isso se fizesse necessário à anulação do presidente João Goulart e à de seus seguidores, a exemplo do governador de Pernambuco Miguel Arraes.

É de Joacil – falecido em 2012, perto dos 90 anos de idade – uma das melhores narrativas sobre a indecisão do paraibano Pedro Gondim, que teve origem no PSD. Eleito para o comando do Estado pelo PDC com o apoio maciço das classes trabalhadoras, nisso incluído o voto da zona rural, Pedro relutava entre o apego às hostes que o levaram ao Palácio da Redenção (desorganizadas e sem condições para a resistência) e as forças conservadoras já com baionetas e tanques nas ruas, naquele 31 de março.

Pois bem, com o golpe em marcha, o Palácio funcionou por quase toda a madrugada de 1º de abril. Reunido com os auxiliares para discutir a situação, o governador sucumbiria às pressões da maioria. Além do mais, recebera a visita nada amigável dos coronéis Ednardo d’Ávilla e Plínio Pitaluga que dele exigiram uma definição.

Segundo Joacil, Ednardo evitou que o colega de farda prendesse Pedro, ali mesmo, no instante em que ambos o perceberam evasivo e relutante.

Porém, raiado o sol, a Rádio Tabajara punha no ar a mensagem governamental vazada nesses termos: “Não posso e não devo, neste instante de tanta inquietação nacional, deixar de definir minha posição, na qualidade de governador dos paraibanos. Reafirmo, preliminarmente, todos os pronunciamentos que expendi em favor das reformas essenciais, por saber que elas constituem instrumentos legais de adequação aos novos problemas do povo. E neste sentido nunca faltei com o meu estímulo e apreço ao Governo Central”.

E mais: “Os últimos acontecimentos, verificados no Estado da Guanabara, envolvendo marinheiros e fuzileiros navais, denunciaram, porém, inequívoca e grave ruptura na disciplina em destacado setor das classes armadas, com desprezo às linhas hierárquicas e completa alienação às prerrogativas da autoridade, sustentáculo autêntico da segurança nacional. O movimento que eclodiu nestas últimas horas em Minas Gerais, com repercussão em outros Estados, não é mais nem menos do que a projeção de acontecimentos anteriores, numa tentativa de recolocar o país no suporte de sua estrutura legal, propiciando clima de tranquilidade –
indispensável ao processo desenvolvimentista que vivemos”.

E, por fim: “ O pensamento político de Minas Gerais hoje, como em 1930, identificou-se com a vocação histórica do povo paraibano que deseja, neste episódio e, sobretudo, o cumprimento das liberdades públicas, consubstanciadas na defesa intransigente do regime democrático”.

Pedro somente seria cassado, com fama de comunista quando ocupava o cargo de deputado federal, quase cinco anos depois, após a promulgação do Ato Institucional nº 5, o mais draconiano e perverso dos decretos da ditadura militar.

De resto, também sofreriam cassações o deputado federal Antonio Vital do Rego e o suplente Osmar de Araújo Aquino. Na Assembleia Legislativa do Estado o regime ditatorial teve desocupadas, por banimento político, as cadeiras dos deputados José Maranhão, Robson Espínola, Romeu Gonçalves de Abrantes, Francisco Souto Neto e Mário Silveira. Também, Sílvio Pélico Porto. Cinco deles, curiosamente, pertenciam ao partido do governo, a Arena.

OUTRAS CASSAÇÕES – Em 1969, a ditadura também afastava da vida política, por dez anos, o então prefeito de Campina Grande Ronaldo Cunha Lima. Conhecido por sua verve, ele assim explicou, certa vez, o motivo de sua cassação:

“Não estou bem certo, mas suponho que tenha decorrido de críticas que fiz a um regabofe dos militares, no Grupamento de Engenharia, à base de dezenas de perus. Comentei que, pelo menos na Paraíba, ninguém poderia dizer que a Revolução fora feita sem sangue”.

Logo que chegaram ao poder os militares também trataram de destituir reitores de universidades públicas. Um deles, o paraibano Mário Moacyr Porto, também dono de uma verve impressionante, comentou, assim, a sua demissão:

“Recebi comunicado do Comando do Grupamento de Engenharia com o aviso de que, a partir de então, meus serviços à Universidade Federal da Paraíba não eram mais necessários. Fui tratado por Vossa Senhoria, o que me fez perceber que a primeira cassação fora a do título. Mas tiveram o cuidado de acentuar que meu afastamento não se dava em função de qualquer ato desabonador de minha conduta. Quer dizer: fui cassado com elogio”.

ABELARDO – Um paraibano de Itabaiana, Abelardo Jurema, ministro da Justiça de João Goulart, esteve, por conta disso, no olho do furacão.

Desencadeado o golpe, foi procurado pelo brigadeiro Moreira Alves interessado em obter de Jango a ordem para jogar 50 aviões da Força Aérea brasileira contra as tropas de Mourão Filho que desciam de Minas Gerais. “Por esse preço não quero ficar no poder”, respondeu o presidente.

Fugido do País, Abelardo estabeleceu-se em Lima, a Capital do Peru. Um dia acordou, às 10 da noite, com batidas à porta. Atendeu, temeroso, ao chamamento, para quase morrer de susto. Era Jânio Quadros, por cuja renúncia Jango fora feito Presidente da República: “Vim visitar um ministro do meu País que, para sobreviver, vende charutos”, disse o visitante.

E, de pronto, perguntou ao dono da casa: “Já tens dinheiro para uísque?”. Abelardo só tinha para pisco, uma bebida local. E Jânio, sem se fazer de rogado: “Serve. Traz uma bem gelada”. (Texto que produzi, há quatro anos, para a edição impressa do finado Jornal da Paraíba. Na ilustração, a primeira página do velho e incorrigível O GLOBO)

Guedes e Toffoli são contra redução salarial de servidores durante a pandemia.



 
Guedes e Tofolli se pronunciam conta redução salarial durante pandemia do coronavírus
Em meio as medidas contra o coronavírus, parte do parlamento defende uma redução salarial dos servidores como forma de arrecadar mais recursos. No entanto, o ministro Paulo Guedes, demonstrou não estar a favor desta medida em relação aos servidores.

Durante uma conferência com a XP Investimentos, Guedes afirmou que sempre defendeu a austeridade no funcionalismo, no entanto, este não vê sentido em reduzir os salários dos servidores.

Guedes e Tofolli são contra redução salarial de servidores durante a pandemia.
De acordo com Guedes, o melhor caminho neste momento é congelar todos os reajustes salariais e de benefícios por dois ou três anos.

Guedes, destacou durante a conferência que em um momento de crise como este “não faz sentido macroeconomicamente”.

Na ocasião Guedes justificou seu posicionamento: “com os altos índices de desemprego diante da crise em consequência as medidas de prevenção ao covid-19, gerar mais cortes prejudicariam ainda mais a economia”.


“Já que o setor privado foi para o desemprego, foi para o auxílio emergencial, o funcionário público que está em casa, no isolamento, recebendo salário integral, então, pelo menos contribua com o Brasil. Quebra essa espiral de aumentos pelo menos dois, três anos”, declarou Guedes.

Não é a primeira vez que o assunto causa oposição no governo diante de um tema tão polêmico. Contudo, representantes do setor público apoiam a linha de raciocínio de Guedes neste momento.

No fim da semana passada, Rodrigo Maia voltou a dar destaque sobre o assunto anunciando que a proposta de redução salarial avançaria no parlamento. A promessa é que os salários dos deputados e senadores também seriam incluídos.

Ponto eletrônico tem novas regras para servidores
A principal justificativa dos parlamentares é que esta medida é necessária, para que haja verba o bastante que subsidie as ações contra o covid-19.

Por fim, o presidente da câmara acabou voltando atrás, após uma conversa com Dias Toffoli presidente do STF. O magistrado comunicou os integrantes da FRENTAS que o presidente da Câmara firmou compromisso do Parlamento em não levar essa ideia adiante.

Mesmo após este acordo, diversos parlamentares continuam defendendo a tese de que os salários dos servidores devem ser reduzidos. Neste momento, ainda não sabemos se Maia cumprira o acordo, mas inda há esperança para os servidores.

Sr. Siape.com.br

 

Coronavírus, micro-organismo que parou todo o planeta, e nivelou a condição humana a um nada



Albergio Gomes de Medeiros

Não entraremos para a história, mas estamos vivendo o período dos mais icônicos, dos que serão destaque enquanto o mundo existir, pode crer.

O Brasil ainda não expurgou o "rouba mais faz", mas vinha mudando o paradigma para "Faz, mas rouba", e assim vínhamos numa distensão cada vez mais extremada, bipolarizada, até nos depararmos com o novo coronavírus, micro-organismo que parou todo o planeta, e nivelou a condição humana a um nada, a uma bolha de sabão no ar. A arrogância, presunção, riqueza, soberba, cor, religião, dentre outras, não fazem diferença para esse microscópico organismo, contrariando até Nietzsche sobre o aforismo do "tudo que não me mata me fortalece". Não, o que os especialistas dizem é que deixa sequelas em muitos pacientes.

Retornamos ao quatro elementos pregados por Empédocles. Por falar nele, veio-me à memória o que Nassim Taleb, em sua obra, Antifrágil escreveu:

O vento apaga uma vela e energiza o fogo" (Nassim Taleb).

Esse momento histórico parece responder à eterna cizânia que teóricos, autores e doutrinadores digladiaram-se ao longo da história, a saber, a relação entre Capital e Trabalho. Qual a resposta? Sem o Trabalho, o Capital para. No momento o móvel é o coronavírus, amanhã pode decorrer do reconhecimento e consciência do trabalhados acerca da força, do poder e do valor se unidos estiverem. O trabalho subsiste, mesmo às custas do empreendedorismo de sobrevivência, mas o Capital não, migrará para atividades especulativas que não gerariam riqueza.

OBS: Deixo claro que é um exercício simplório, sem valor acadêmico, mas destinado para quem não é nem conhece as Ciências Econômicas e Sociais ou Ciência Política nem tem aprofundada leitura nem estudos sobre esses temas. É só para instigar a curiosidade e, oxalá, o desejo de conhecerem o tema.

Despeço-me, com esse singelo e modesto comentário, da frequência que vinha tendo no face, para doravante, só vez por outra, acessá-lo. Abração para todos.!!! Saúde, paz e harmonia, e, como diria Senhor Spock: Vida longa e próspera para todos.

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